


Quando tudo estiver difícil, não desista. Quando já estiver cansado, não pare sua caminhada. Quando o coração estiver doendo, chore. Apenas chore, e descarregue toda a tristeza. Quando se sentir sozinho, converse com Deus. Quando pensar que não há motivos para viver, lembre-se que só pelo fato de você estar vivo, e ter saúde, já é um motivo para se sentir feliz, e para querer estar vivo. Nunca desista de seus objetivos por causa de uma pedra no caminho, e se houver, chute-a. Procure sua felicidade, porque ela não irá bater em sua porta. Não deixe que a tristeza domine o seu interior. Pode ser difícil de acreditar, mas sua hora de ser feliz irá chegar. Quem espera, sempre alcança. Espere sua vez, mas não fique parado, achando que a felicidade irá chegar sozinha.

Porque justamente ele? Ele era um vagabundo, ordinário. Um lindo ordinário. O jeito de andar era despojado, jogado. Era verdadeiramente um charme. Arrogante, estressado, idiota, com aquele olhar cativador, aquele sorriso de lado, que era assustadoramente perfeito. Perfeito. Mas porque ele? Não poderia ser o filho do açougueiro? Do padeiro? Do pedreiro? Mas era ele, aquele retardado, bobo e chato. Até o jeito de falar era diferente, cheio de gírias, palavrões. Palavrões até mesmo desconhecidos por ela. Porque não podia ter sido uma garota normal, e gostar de um garoto bonzinho, estudioso, bonito apenas. Sem aquele olhar tentador, aquele charme absurdo. E aquela pegada que ninguém mais tem. Arrepiou-se. Como ela podia gostar de alguém como ele? Não fazia nada pra agradar ninguém, preguiçoso, estúpido, aquele tipo que não levava desaforo pra casa. Não era o tipo dela. Arrumada, maquiada, com suas roupas de marca. Perfumada, educada, toda perfeita. Ele era um vagabundo. “Deveria ter ouvido mamãe, não fique com ele!”, discutia com si mesma em pensamento. Com raiva, levantou-se da cama. Olhou novamente para ela, não iria retirar aquilo dali. Ele colocou, ele que a tirasse. Mas quantas vezes ela teria que falar? Não podia ser ao menos organizado? Atento e menos chato? Ele não era nada disso, ele era chato, e ao mesmo tempo carinhoso, mas não deixava de ser chato. Mas ela adorava isso. Sorriu abertamente, deixou-se aprofundar os pensamentos. Lembrou-se de quando ia ao seu apê, aos finais de semana, e ao chegar estava tudo jogado pelo chão, desarrumado, não sujo, mas desarrumado. Ele era desorganizado! Riu ao lembrar-se de como ele ficava desesperado quando ela chegava derrepente e encontrava aquela bagunça toda, e ele catava tudo desesperadamente. “Agora não, tudo sou eu!” , pensou novamente, cruzando os braços. Era absurdamente desorganizado e chato. Um bico abriu-se em sua face. Mas respirou, sentou-se novamente na cama. Mas era dele o seu amor, foi com ele que viveu os momentos mais felizes de sua vida até então. Tão diferente dela, ele a completava. Era ele seu porto seguro, seu protetor, o mais chato de todos, mas era ele, quem lhe dava conselhos. “que são uma porcaria!” , pensou aceitando os fatos, para logo sorrir. Não podia reclamar tanto assim dele. Deixou de se lamentar pela estupidez do amor, ela haveria de aceitar. A gente não escolhe quem amar. Ela o amava, olhou novamente para a parte lateral da cama, levantou-se e recolheu o que tanto odiava. Todo santo dia era assim. Era aquela bendita toalha molhada sobre a cama. Sorriu. Afinal, sempre sonhou com isso. Não com a tolha molhada, mas em estar casada com ele. Dividindo o mesmo teto, o mesmo quarto, a mesma cama. Sabia que seria assim, então sorriu. Ele poderia ser o cara mais desorganizado do mundo, o mais chato, o mais besta, o mais bobo, mas era o amor da vida dela.